Tudo o que você precisa saber sobre a pior dor do mundo

Você acha que é a do parto? Ou a dos rins? Não! Ela está registrada na literatura médica como um motivo de tentativa de suicídio por muita gente

Redação Viva! Mais 20/07/2017 - 07:01

Ela está classificada como uma das mais violentas que um ser humano pode sentir e já levou muita gente ao suicídio

Imagine uma dor aguda, muito forte, caracterizada por pontada, choque ou espasmo na região da face (na altura da mandíbula, maxilar e olhos). Ela tem duração de segundos, mas com repetições ao longo do dia, incapacitando rotinas simples, como escovar os dentes, pentear os cabelos e até sentir uma brisa no rosto. Imaginou? Pois esses são os sintomas da neuralgia do trigêmeo, a pior dor do mundo – ela está classificada como uma das mais violentas que um ser humano pode sentir, e está registrada na literatura médica como motivo de tentativa de suicídio por indivíduos acometidos pela doença.


Como o diagnóstico da doença nem sempre é fácil (90% das pessoas sofre por anos sem o tratamento adequado, pensando se tratar de problemas dentários), Claudio Corrêa, neurocirurgião especialista em dor pela Unifesp, reuniu alguns tópicos sobre seus sintomas, causas e tratamentos. Confira (antes de a confundir com dor de dente!):

 

1-     O nervo trigêmeo é o quinto nervo craniano. Sua origem é na base do encéfalo, numa estrutura denominada ponte, que é parte do tronco cerebral. Após conexão com o gânglio trigeminal (Gânglio de Gasser), distribui-se em três ramos: oftálmico, maxilar e mandibular, inervando sensitivamente a face em toda sua porção externa e na sua porção interna (gengivas, dentes, mucosa oral, terço anterior da língua, córnea). Portanto, tem a função básica de permitir ao paciente a percepção de estímulos sensitivos nessas áreas. Também apresenta um ramo motor com inervação do masseter, músculo importante no mecanismo da mastigação.

 

2-     A neuralgia do trigêmeo, que habitualmente atinge apenas um lado da face, caracteriza-se por uma dor súbita, sensação de choque elétrico ou um espasmo muscular na face, na distribuição dos ramos para a mandíbula, o maxilar e a região acima dos olhos, várias vezes ao dia ou por dias alternados.

 

3-   A doença atinge de 3 a 5 pessoas em cada 100 mil por ano, com maior prevalência no sexo feminino e com idade superior a 50 anos.

    

4-  Em 95% dos casos, a neuralgia do trigêmeo é considerada idiopática, ou seja, sem causa orgânica definida.

 

5- A neuralgia do trigêmeo não tem como ser prevenida, já que se trata de um processo degenerativo do nervo trigêmeo.

     

6-  Devido a alguns de seus sintomas semelhantes inicialmente com problemas de ATM (mandíbula) e dentários, a doença pode ter seu diagnóstico dificultado, tanto que diversas pessoas chegam a extrair dentes ou usar aparelhos para bruxismo por anos, sem sucesso.

 

7-   O diagnóstico é feito com base na somatória dos sintomas, intensidade e frequência em um ou mais segmentos inervados pelo trigêmeo.

      

8- O profissional mais apto para diagnosticar e tratar a neuralgia do trigêmeo é o neurologista e/ou neurocirurgião funcional.

 

9-  O tratamento da neuralgia do trigêmeo é realizado, inicialmente, com medicamentos e quando eles deixam de responder, podem ser indicados procedimentos operatórios.

 

10- Embora a cirurgia tenha resultado definitivo, pode ocorrer a volta do problema em cerca de 30% dos casos - que podem ser operados novamente.