Tudo o que você precisa saber sobre a pior dor do mundo

Você acha que é a do parto? Ou a dos rins? Não! Ela está registrada na literatura médica como um motivo de tentativa de suicídio por muita gente

Redação Viva! Mais

Ela está classificada como uma das mais violentas que um ser humano pode sentir e já levou muita gente ao suicídio | <i>Crédito: iStock
Ela está classificada como uma das mais violentas que um ser humano pode sentir e já levou muita gente ao suicídio | Crédito: iStock

Imagine uma dor aguda, muito forte, caracterizada por pontada, choque ou espasmo na região da face (na altura da mandíbula, maxilar e olhos). Ela tem duração de segundos, mas com repetições ao longo do dia, incapacitando rotinas simples, como escovar os dentes, pentear os cabelos e até sentir uma brisa no rosto. Imaginou? Pois esses são os sintomas da neuralgia do trigêmeo, a pior dor do mundo – ela está classificada como uma das mais violentas que um ser humano pode sentir, e está registrada na literatura médica como motivo de tentativa de suicídio por indivíduos acometidos pela doença.


Como o diagnóstico da doença nem sempre é fácil (90% das pessoas sofre por anos sem o tratamento adequado, pensando se tratar de problemas dentários), Claudio Corrêa, neurocirurgião especialista em dor pela Unifesp, reuniu alguns tópicos sobre seus sintomas, causas e tratamentos. Confira (antes de a confundir com dor de dente!):

 

1-     O nervo trigêmeo é o quinto nervo craniano. Sua origem é na base do encéfalo, numa estrutura denominada ponte, que é parte do tronco cerebral. Após conexão com o gânglio trigeminal (Gânglio de Gasser), distribui-se em três ramos: oftálmico, maxilar e mandibular, inervando sensitivamente a face em toda sua porção externa e na sua porção interna (gengivas, dentes, mucosa oral, terço anterior da língua, córnea). Portanto, tem a função básica de permitir ao paciente a percepção de estímulos sensitivos nessas áreas. Também apresenta um ramo motor com inervação do masseter, músculo importante no mecanismo da mastigação.

 

2-     A neuralgia do trigêmeo, que habitualmente atinge apenas um lado da face, caracteriza-se por uma dor súbita, sensação de choque elétrico ou um espasmo muscular na face, na distribuição dos ramos para a mandíbula, o maxilar e a região acima dos olhos, várias vezes ao dia ou por dias alternados.

 

3-   A doença atinge de 3 a 5 pessoas em cada 100 mil por ano, com maior prevalência no sexo feminino e com idade superior a 50 anos.

    

4-  Em 95% dos casos, a neuralgia do trigêmeo é considerada idiopática, ou seja, sem causa orgânica definida.

 

5- A neuralgia do trigêmeo não tem como ser prevenida, já que se trata de um processo degenerativo do nervo trigêmeo.

     

6-  Devido a alguns de seus sintomas semelhantes inicialmente com problemas de ATM (mandíbula) e dentários, a doença pode ter seu diagnóstico dificultado, tanto que diversas pessoas chegam a extrair dentes ou usar aparelhos para bruxismo por anos, sem sucesso.

 

7-   O diagnóstico é feito com base na somatória dos sintomas, intensidade e frequência em um ou mais segmentos inervados pelo trigêmeo.

      

8- O profissional mais apto para diagnosticar e tratar a neuralgia do trigêmeo é o neurologista e/ou neurocirurgião funcional.

 

9-  O tratamento da neuralgia do trigêmeo é realizado, inicialmente, com medicamentos e quando eles deixam de responder, podem ser indicados procedimentos operatórios.

 

10- Embora a cirurgia tenha resultado definitivo, pode ocorrer a volta do problema em cerca de 30% dos casos - que podem ser operados novamente.

 

20/07/2017 - 07:01

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