O consumo de frutas pode estar detonando os seus dentes

Desgastes provocados pelos ácidos das frutas podem levar ao tratamento de canal e outros problemas dentários

Redação Viva! Mais

Frutas ácidas, como maçã e uva, por exemplo, podem provocar erosão ácida, um desgaste que compromete os dentes | <i>Crédito: iStock
Frutas ácidas, como maçã e uva, por exemplo, podem provocar erosão ácida, um desgaste que compromete os dentes | Crédito: iStock

Muitas pessoas têm o hábito diário de consumir alimentos ácidos e em grande quantidade. Refrigerantes durante as refeições, café em reuniões ou intervalos, o tempero da salada com vinagre e limão e até as inocentes frutas. Frutas? Isso mesmo.

 

Ser saudável está se tornando prioridade na vida das pessoas e isso tem elevado o consumo de frutas em geral que, a longo prazo, pode gerar desgastes incrivelmente agressivos em regiões específicas dos dentes que ficam expostas em razão de diversos problemas. Esse desgaste é chamado de erosão ácida, conforme explica o dentista Gregório Sagara.

 

“Às vezes não percebemos quão ácidas algumas frutas são. A maçã e a uva, por exemplo, podem ter acidez semelhante à laranja, ou mesmo a banana, que tem acidez equivalente a do tomate, que também é fruta”, diz.

 

Mas qual o mal dessas agressões? “Basicamente, o dente é composto por quatro estruturas: o esmalte, camada externa que fica exposta na boca; a dentina, camada abaixo do esmalte; o cemento, camada que reveste a raiz; e polpa, composto por nervos e vasos sanguíneos que dão a sensibilidade aos dentes. O consumo de alimentos ácidos faz com que as regiões de cemento e dentina expostas, se desmineralizem microscopicamente e, após anos de agressão, gera cavidades. Os desgastes são nítidos e em quadros avançados há a exposição e contaminação da polpa, necessitando de tratamento de canal”, detalha o especialista.

 

Sintomas 

Para saber se você possui problemas com erosão ácida, faça o autoexame da boca, procurando por regiões amareladas nas pontas dos dentes e buracos em regiões próximas à gengiva. O sintoma mais comum desse tipo de agressão é a sensibilidade ao consumir alimentos e líquidos gelados ou até mesmo ao puxar o ar pela boca.

 

O grau de intensidade da sensibilidade pode variar de acordo com o nível de desgaste, proximidade com a polpa dentária e características pessoais. Em seguida, é importante passar por avaliação odontológica para diagnosticar e tratar as causas das exposições de raiz e dentina, como bruxismo, escovação agressiva, periodontite, movimentação por aparelho dentário, perda de dentes ou instabilidade de mordida e, assim, definir um plano de tratamento. 

 

O acompanhamento com controle da alimentação, higienização adequada, uso de cremes dentais específicos, restaurações e até recobrimento cirúrgico gengival, são recursos utilizados a fim de impedir o contato dos ácidos com essas regiões agredidas e diminuir os sintomas.

 

Algumas medidas podem diminuir a evolução do problema como consumir menos alimentos ácidos e com menos frequência (no caso das frutas ácidas); evitar vinagre e limão nas saladas; utilizar canudos para bebidas como refrigerantes e sucos; fazer bochecho com água logo após o consumo de ácidos e aguardar no mínimo uma hora para a escovação – escovar os dentes logo após alimentação remove o restante de cristais que não foram removidos pelos ácidos. A saliva possui uma função essencial na neutralização da acidez oral, chamado de efeito tampão, assim recuperando parcialmente os minerais dos dentes em cerca de uma hora.

 

Algumas doenças, chamadas de fatores intrínsecos também podem causar erosão ácida, como refluxo gastroesofágico, gastrite crônica e transtornos alimentares, como a bulimia, podendo, também, desenvolver sensibilidades.

 

“É importante salientar que as frutas possuem valores e propriedades nutricionais essenciais para nossa saúde, porém, o que vale é o equilíbrio no consumo, sem exageros e sem esquecer de que nada substitui a higienização com escova e fio dental”, finaliza o dentista.

 

06/07/2017 - 08:40

Conecte-se

Revista Viva Mais