Como lidar com o pessoas bipolares

Entre altos e baixos, a vida de quem tem transtorno bipolar está longe de ser uma brincadeira. Entenda a doença e saiba como ajudar os portadores

Marília Medrado

O transtorno bipolar é muito incompreendido e nem sempre é diagnosticado rapidamente. Descobra se é o caso de suspeitar e como é o tratamento | <i>Crédito: Shutterstock
O transtorno bipolar é muito incompreendido e nem sempre é diagnosticado rapidamente. Descobra se é o caso de suspeitar e como é o tratamento | Crédito: Shutterstock
Ora alegres, ora tristes, ora normais. Portadores de transtorno bipolar vivem como se o humor estivesse na montanha russa. "Tipicamente, o problema evolui em fases, alternando períodos depressivos com outros de euforia, intercalados por fases maiores [anos] ou menores de normalidade", diz o psiquiatra Carlos Hübner. Para ter a doença, a carga genética conta muito, entre outros fatores, como mostramos aqui, a pedido da leitora Tatiane Regina de Jesus Moreira, 35 anos, de Maricá (RJ).

CARACTERÍSTICAS
Crises de euforia (mania) ou depressão podem durar dias, meses ou anos. "A euforia tem de durar ao menos uma semana. A depressão, ao menos duas", diz Hübner. Tal como a intensidade dos sintomas (de leve a grave), a frequência dos episódios também varia.

Polo da depressão: humor deprimido, apatia, falta de prazer, angústia, lentidão, alteração de apetite e libido, pessimismo, ideias de morte, falta de concentração.

Polo da euforia: humor alegre e/ou irritadiço, pensamento acelerado, excesso de energia, pouco sono, otimismo exagerado, ideia de grandeza ou de riqueza, gastos excessivos, crítica comprometida, possível comportamento promíscuo e até mesmo inadequado.

AS CONSEQUÊNCIAS
O turbilhão de emoções afeta a vida do paciente e das pessoas ao redor. “Você se imagina bem com alguém que diz que nada vale a pena? Ou tem crises [de oscilação de humor] que se repetem de tempos em tempos?”, questiona Hübner.

QUANDO SUSPEITAR
“No transtorno bipolar, a mudança de humor nem sempre tem um motivo”, diz o psiquiatra Valdenir Tofolo. Suspeite se surgirem mudanças no jeito habitual de ser: no vestuário, na forma de socializar com o grupo, no discurso.

COMO LIDAR COM O PACIENTE
Ao entender que o comportamento do paciente não é um capricho, além de ter paciência, é preciso dar apoio. Você pode aconselhá-lo, seja pelo pessimismo, seja pelo otimismo exagerados. “Lembre-o de que ele está vendo as coisas daquela maneira por causa da doença, não porque sejam assim”, aconselha Hübner.

Em fases normais, estimule-o a seguir com o tratamento.  "Participe de grupos na internet e de pacientes e familiares, que existem em várias cidades”, diz Hübner. O Programa de Doenças Afetivas (Gruda) e a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) possuem esse tipo de serviço.

24/02/2017 - 08:00

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