Caso de Marcos do BBB mostra que agressão não tem cor ou classe social

Foi-se o tempo em que agressores de mulheres eram vistos como homens pobres. Marcos mostra que não existe um "típico homem agressor"

Gregory Prudenciano

Marcos Harter: o médico e o monstro | <i>Crédito: Redação Viva! Mais
Marcos Harter: o médico e o monstro | Crédito: Redação Viva! Mais
Ele é médico, bonito, jovem, bem-educado e atlético. O tipo de cara que preenche todos os requisitos de genro e marido dos sonhos. Fez brilhar os olhos dos produtores do reality show de maior audiência do Brasil e, assim, Marcos Harter, de 27 anos, foi parar no horário nobre da Globo. Além do rótulo de “doutor bonitão”, Marcos ainda entrou no programa se gabando de ser amigo de famosas como Nicole Bahls e se dizia conhecido como “médico do nariz perfeito”, já que sua especialidade é a cirurgia plástica. Essa combinação quase ideal fez o doutor ir longe na 17ª edição do BBB, chegando bem perto da final... e derrapando na linha de chegada. Os dois meses e meio em que o brother permaneceu na casa foram suficientes para revelar outra característica dele: Marcos é um agressor de mulheres. 

Foi-se o tempo em que agressores de mulheres eram vistos como homens pobres, trabalhadores braçais que param num boteco antes de chegar em casa e enchem a cara para ficarem “machos” o suficiente para bater em suas parceiras. O caso de Marcos mostra que não existe um “típico homem agressor”, mas sim homens agressores em todas as classes sociais, com todas as cores, com barriga tanquinho e com barriga de chopp, com curso no exterior ou com fundamental incompleto. 

Homem que bate em mulher é covarde. Isso todo mundo sabe, todo mundo fala. Mas talvez sejam ainda mais covardes os que escondem sua violência sob títulos de doutores. Talvez sejam ainda mais covardes os que usam seus sobrenomes e contas bancárias para calar suas vítimas. Talvez sejam ainda mais covardes os que, por não terem o perfil clássico de quem vai preso no Brasil - outra prova da triste desigualdade do nosso país - se sentem protegidos o suficiente para levantar a mão para suas mulheres. 

Marcos é a prova de que os privilégios que o acompanharam por toda a vida, ao invés de fazê-lo mais humano, mais educado e mais sensível, deram a ele senso de impunidade suficiente para que ele agredisse um mulher diante das câmeras de um programa de TV – triste ironia. Para tornar-se médico, Marcos fez o juramento de Hipócrates, no qual prometeu “solenemente consagrar a vida ao serviço da humanidade”. Outra triste ironia. Amanhã o brother, agora expulso do BBB, deve se apresentar na delegacia para prestar depoimento. Que a justiça seja feita.

11/04/2017 - 18:24

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