Vamos falar de orelha de abano?

Motivo de bullying entre as crianças, e preocupação entre os pais, vale a pena operar?

Redação Viva! Mais 18/07/2017 - 07:12

As orelhas proeminentes e de aspecto abanado geram grandes incômodos para as crianças

Dumbo! Orelha de burro! Orelhão! As orelhas proeminentes e de aspecto abanado geram grandes incômodos para as crianças. Nessas horas, o sofrimento dos filhos reflete-se diretamente nos pais, quando a atenção é voltada negativamente, ao gerar motivo para brincadeiras e olhares maldosos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), as orelhas de abano atingem de 2% a 5% da população. Um número considerado pequeno entre os demais casos para cirurgias corretoras, mas que se torna relevante quando é sinônimo de bullying.

 

Segundo o cirurgião plástico Roger Vieira, membro da SBPC e da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) “o que caracteriza uma criança ou adulto com orelha de abano está, muitas vezes, em pequenas alterações anatômicas, da orelha que é vista como normal (ou mais comum). Ela pode se apresentar de várias maneiras e em diferentes graus”. As orelhas com aspecto de abano, em geral, são mais projetadas para frente que o normal, conferindo à face e à cabeça uma aparência aumentada. Sob o ponto de vista médico, podem ser diagnosticadas quando as orelhas  formam um ângulo maior de 30-35° em relação à cabeça. Isso acontece de acordo com o aumento da concha cartilaginosa da orelha associado a um apagamento da dobra natural chamada de anti-hélix.

 

Mas, e aí? Vale a pena operar?

As orelhas de abano podem ser corrigidas com uma cirurgia plástica chamada otoplastia, mas é preciso cuidado para determinar se o procedimento é ou não necessário e, mais do que isso, qual o momento adequado para submeter a criança ao procedimento.  “A idade é um dos principais fatores a serem analisados. Geralmente, a correção pode ser indicada a partir dos seis anos porque, depois, o crescimento da orelha já não será tão significativo”, conta o cirurgião. Mas, de acordo com Roger, a vontade da criança deve sempre prevalecer. “Por diversas vezes, são os pais que almejam a cirurgia por não aceitarem as condições diferentes do filho. Temos que enfatizar que existem crianças cuja personalidade é tão marcante que não se deixam abater por essa ditadura da beleza e não fazem questão de operar”.

 

Entenda a otoplastia

A otoplastia é uma cirurgia plástica que tem como finalidade restabelecer a anatomia das orelhas e o posicionamento ideal em relação ao crânio. As incisões são feitas na face posterior das orelhas e, por isso, o paciente não fica com cicatrizes aparentes. A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar, no bloco cirúrgico, dura em média de uma a duas horas e a anestesia é geral para crianças – podendo ser apenas local, para adolescentes e adultos. A alta médica é geralmente programada para o mesmo dia.


É importante observar, dentro de 20 a 30 dias após o nascimento dos pequenos, se há algo diferente que possa caracterizar orelhas de abano. Nesse período, os pediatras costumam sugerir o uso de faixas de contenção mas, na maioria dos casos, não são consideradas muito eficazes, já que, após esse período de 30 dias após o nascimento, a orelha da criança vai ficando mais firme. “Em todos os casos, a consulta com o cirurgião plástico de sua confiança é sempre o mais indicado, e claro, ouvir o que o seu filho tem a dizer. Eles são sempre a parte que importa”, finaliza Roger.