Cão comendo a própria pata e correndo atrás do rabo pode ser doença

A compulsividade canina pode ser um problemão para o pet

Por Débora Squassina, adestradora e franqueada da Cão Cidadão

Cães compulsivos podem machucar a si mesmos | <i>Crédito: Shutterstock
Cães compulsivos podem machucar a si mesmos | Crédito: Shutterstock
Ter um animal de estimação é magnífico. Estamos sempre sendo acarinhados por nossos companheiros quando chegamos em casa ou quando resolvemos dar aquele passeio gostoso, não é mesmo? Porém, você sabia que o seu cãozinho pode ter comportamento compulsivo? Você sabe o que é isso?
A compulsão se caracteriza por diversos costumes aprendidos que geram uma retribuição emocional, provocando um efeito calmante para a ansiedade e/ou aflição. São ações repetidas inúmeras vezes e quase que automaticamente. Apesar desse comportamento proporcionar um alívio, geralmente ele não é compatível com o bem-estar do pet, como, por exemplo, formar feridas por lambedura. Mas, o que leva a esse comportamento?
Existem alguns fatores, como a predisposição genética, uma instabilidade química dos neurotransmissores cerebrais, e também o estresse e a ânsia provocados pelo ambiente e pelas pessoas que vivem com o animal. 
Os fatores ambientais são usualmente os mais comuns. Se um cachorro de energia muito alta for confinado em um ambiente pequeno e/ou um integrante da família se mudar, o pet poderá desenvolver comportamentos compulsivos, rodando em círculos, por exemplo. 
Se essa situação se estender, o comportamento compulsivo surgirá e poderá se prolongar pelo resto da vida, mesmo que você coloque o cão em uma situação adequada, pois ele entrará em um processo de autorrecompensa. Algumas atitudes poderão evitar a compulsão e/ou aliviá-las.
Praticamente todas as expressões físicas podem virar uma compulsão, entre as mais comuns estão: lamber as patas, correr atrás do rabo, perseguir a própria sombra, arrancar os pelos e latir sem parar. Sendo assim, cabe observarmos se o nosso cãozinho gasta muito tempo nessas ações que, a princípio, não possuem objetivo, e tomar providências, porque a conduta compulsiva tende a se agravar conforme o tempo.
Já sei! Então, toda vez que meu pet estiver tendo um comportamento semelhante aos citados, darei um petisco para distrai-lo, não é isso? Não, não é. Se você o fizer, seu cão receberá uma recompensa pela atitude. Sendo assim, se ele estiver arrancando os pelos e você der um petisco, ele poderá arrancar cada vez mais pelos para ganhar cada vez mais recompensas. Até mesmo broncas podem ser consideradas reforços, pois o cão pode entender que está chamando atenção e aumentar a incidência da atitude. 
Como faço para parar o comportamento? Em caráter de urgência, devemos romper a conduta, sem que o animal se traumatize. Um barulho que ele não saiba de onde veio, por exemplo, abrir a porta da sala, pegar a chave de casa etc.
Fatores genéticos podem inspirar a compulsão. Ao machucar a pata espontaneamente, o cão começará a se lamber pelo incômodo. Isso liberará a sensação de prazer e bem-estar. Animais com predisposição genética para a lambedura poderão continuar com a atitude mesmo com a ferida cicatrizada.
Alguns cães aliviam a sua ansiedade mastigando objetos, enquanto ganham um afago. Portanto, quando chegar um visitante, ele será recompensado com um brinquedo bem bacana para mastigá-lo. Esse tipo de reforço pode ser bem interessante, pois o cão migrará a sua ansiedade para algo que não ameaça a sua saúde. 
Devemos combater essa disfunção por todos os meios, logo que se perceba o primeiro indicativo. Quanto mais demorar a tomar providências, mais difícil ficará. Mas, o que podemos fazer para inibir esse problema?
Todos os cães devem ser estimulados a aumentarem o seu repertório de comunicação. Truques e comandos são uma boa pedida: o cão buscará e entenderá o que esperamos deles, e tenderá a converter os comportamentos indigestos.
Outro fator importante para redirecionar a ansiedade é um bom passeio. Atividade física ajuda a descarregar o alvoroço e a excitação do pet, pois ele poderá correr, brincar, farejar, ficando bem mais tranquilo. 
Atualmente, vem crescendo as creches para cães, que bem organizadas, proporcionam para o pet divertimento e entretenimento o dia todo.
Mantenha sempre o seu cão distraído, principalmente aqueles que ficam sozinhos por muito tempo, com bastante enriquecimento ambiental para estimular os sentidos e os instintos dele. Brinquedos recheados com comidas são bem atrativos também. 
Caça ao tesouro é maravilhoso! Esconda recompensas para que ele busque ao longo do dia, ossos e brinquedos para roer ajudam a aliviar o estresse. 
Agora, quando o comportamento advém de problemas neurológicos, é necessário tratamento medicativo. Orientação veterinária é essencial nesse caso - suplementação de triptofano e todas as atividades já relatas contribuirão. A rotina de atividades, com certeza, trará o bem-estar ao seu animalzinho e ele ficará bem feliz. 

24/04/2017 - 07:30

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